Você já pratica empreendedorismo de impacto social?

Quando se fala em empreendedorismo nos dias de hoje, o impacto social que as empresas geram na comunidade é tão importante quanto a viabilidade econômica do modelo de negócio.


Pensar em sustentabilidade na indústria nacional é lembrar de cases como o da Natura. Com vários projetos voltados à preservação ambiental, a empresa é referência em empreendedorismo e impacto social. Suas ações vão desde o uso racional de água e energia até a criação de um instituto direcionado a crianças da rede pública de ensino.

Essa atuação garantiu à Natura, em 2014, o reconhecimento como a primeira empresa de capital aberto a receber a certificação B Corp. O diferencial é concedido pela organização norte-americana e sem fins lucrativos B Lab, para modelos de negócios focados no desenvolvimento social e ambiental.

Apesar do processo ser muito rigoroso, o Brasil tem conquistado o seu espaço e hoje conta com 176 empresas no sistema B (Benefits). Todas são exemplos do quanto é viável uma proposta em que ganhos econômicos andem lado a lado com iniciativas sustentáveis. O grande resultado é o impacto positivo capaz de mudar a realidade de muita gente.

Vamos entender melhor como isso funciona!


O conceito de impacto social no empreendedorismo

A discussão em torno do conceito de impacto social no mundo corporativo tem mais ou menos uma década. Foi a época em que o economista e banqueiro Muhammad Yunus defendeu que os investidores só podem recuperar o capital investido. Ou seja, sem direito a lucro e dividendos. Para Yunus, ganhador do prêmio Nobel da Paz em 2006, o destino do lucro é voltar para a empresa e ser aplicado em benefícios socioambientais.

Já os professores das Universidades de Cornell e Harvard (EUA), Stuart Hart e Michael Chu, acreditam na distribuição de lucro. A medida atrairia mais investidores e impulsionaria novos negócios para combater os desafios sociais da atualidade.

Tais pensamentos ganharam o mundo e estão cada vez mais integrados ao empreendedorismo moderno, a partir da venda de produtos ou serviços que contribuem para melhorar a qualidade de vida de quem mais precisa.


Por que ser um negócio social?

As empresas tradicionais têm como única função social garantir o lucro dos acionistas. Quanto mais rendimentos, melhor. E o resultado dessa linha de pensamento nunca esteve tão visível: meio ambiente degradado, escassez de recursos e desigualdade social.

Portanto, a necessidade de causar um impacto social positivo vem crescendo quando se fala em empreendedorismo. Empresas com ações sociais e projetos voltados a melhorar a qualidade de vida das populações de baixa renda são cada vez mais valorizadas e reconhecidas. Sem falar que despertam mais interesses dos investidores.

E não podemos esquecer que muitos consumidores dão preferência de compra para quem faz a diferença junto às comunidades que integram as classes C, D e E. De acordo com dados do IBGE de 2010, esses grupos correspondem a mais de 168 milhões de pessoas.

Além disso, organizações envolvidas em escândalos de trabalho escravo, exploração infantil ou que causem danos ambientais vêm perdendo espaço entre os compradores. Usar uma marca que viola os direitos humanos não interessa a um público mais consciente, os chamados millennials, aqueles que ficaram adultos no início do século 21.

Uma pesquisa feita pelo Itaú BBA — banco de investimentos do Itaú Unibanco, revela que os millennials já compõem a maior parte da população brasileira. Eles representam 34% da população total e 50% da força de trabalho. São pessoas adeptas à tecnologia e socialmente conscientes. Na hora de consumir, eles levam em conta o que a empresa que vende determinado produto tem feito de positivo para a sociedade.


Como é o modelo de negócio voltado ao impacto positivo?

Segundo definição do Sebrae, negócios sociais são iniciativas financeiramente sustentáveis, com viés econômico e caráter social e/ou ambiental. Ou seja, precisam contribuir na transformação da realidade de populações menos favorecidas, além de fomentar o desenvolvimento da economia nacional.

Isso significa que o retorno financeiro obtido é capaz de promover transformação social, sem necessidade da captação de recursos para que essas iniciativas aconteçam. O fato é que gerar impacto positivo em uma comunidade precisa de gestão planejada. Isso vale para grandes, médias ou pequenas empresas que pretendem fazer com que a preocupação socioambiental e a viabilidade econômica caminhem juntas.


O que caracteriza, de verdade, um negócio de impacto social?

Falar em negócios de impacto é tratar da capacidade em desenvolver projetos ou programas que levam ao bem-estar social, buscando soluções que promovam a cidadania e o acesso de bens e serviços aos mais necessitados.

Segundo a pesquisa “Negócios de Impacto Social e Ambiental”, publicada pelo Sebrae, as duas áreas que mais atraem negócios de impacto social são educação (com 37,1% das empresas consultadas) e treinamento (acesso ao trabalho e renda, 25,8%).

Mas quem busca o impacto social para proporcionar condições mais dignas à população de baixa renda, deve estar atento aos seguintes pontos:

  • Inove no seu modelo de negócio. Pense em algo que ainda não foi feito, como ofertar produtos e serviços de qualidade a preços acessíveis. Ou proporcionar que grupos de baixa renda possam suprir necessidades básicas, como saneamento, alimentação, energia, saúde e habitação;

  • Realize um trabalho em rede, por meio de parcerias com outros empreendedores que possuem a mesma visão socioambiental;

  • Buscar conexão com as políticas públicas também faz parte do processo. Saber mais sobre o que os gestores estão realizando em prol das comunidades de baixa renda permite a maximização dos resultados. Essa articulação também pode aumentar o alcance do seu projeto;

  • Não menos importante é o cuidado com a cadeia produtiva. Se o seu projeto quer beneficiar crianças carentes, não é possível ter entre os fornecedores uma empresa que explora mão de obra infantil e nem mesmo o trabalho escravo, certo?

Assim, será possível criar novas oportunidades e perspectivas para os cidadãos em situação de vulnerabilidade social, via geração de renda compartilhada e, até mesmo, autonomia financeira para essas pessoas.


O gerenciamento do impacto social

Dados da Aspen Network of Development Entrepreneurs (Ande/Brasil) mostram que os negócios sociais movimentam cerca de US$ 60 bilhões por ano, em todo o mundo, no chamado terceiro setor. E aí você pode estar se perguntando: como fazer o meu modelo de negócio desenvolver soluções e otimizar resultados?

Apenas boas intenções não bastam e o gerenciamento do impacto social é de extrema importância para a saúde das empresas. Em primeiro lugar, conheça o seu público para entender o problema e apresentar a solução. Converse com as pessoas que trabalham com você, circule pelo seu bairro. Isso vai ajudar a definir os objetivos do seu projeto.

Não podemos esquecer de medir os resultados das ações realizadas. Conversar com o grupo de trabalho e com quem está sendo beneficiado pelo negócio social ajuda a aprimorar erros e falhas. Da mesma forma, serve de termômetro para saber que tipo de empreendedorismo está realmente fazendo a sua parte junto à sociedade.

Por isso, ter um modelo de negócio voltado ao impacto positivo exige muitas responsabilidades, não somente administrativas, mas, acima de tudo, com a sociedade em que se vive. Seja um empreendedor social e faça a diferença!